Significado da figura
(recebido em 28/07/2005).
Fundação e trajetória do Boa Nova
Em meados de 1978, um grupo de cidadãos leopoldenses que frequentava o Centro Espírita Nossa Casa, em Porto Alegre, dirigido espiritualmente por Nídia Corrêa da Silva, recebeu uma importante orientação.
Na última reunião do ano, Nídia psicografou uma mensagem recomendando a abertura de uma casa espírita em São Leopoldo, com a missão de “levar a boa nova” à cidade.
Mais tarde, essa orientação ficou ainda mais clara, quando em sessão foi salientado que a atuação do novo centro seria na “linha dos caídos”, necessitando mais trabalhadores do que oradores. A iniciativa também evitaria o deslocamento semanal dos frequentadores até Porto Alegre e, ao mesmo tempo, difundiria a Doutrina Espírita na região sob um novo enfoque.
Assim, decidiu-se realizar a primeira reunião em São Leopoldo no dia 4 de abril de 1979, uma quarta-feira, na sede da APAE-SL.
Haidée Bender foi a primeira orientadora espiritual da casa, embora por pouco tempo. Em seguida, Marisa Miorim assumiu a função.
Em 17 de abril de 1979, ela recebeu a seguinte comunicação espiritual:
“Caminhamos todos juntos há séculos e séculos. Mas há sempre um dia em que nos reunimos e descobrimos que os caminhos a seguir são iguais para todos aqueles que estão preparados, embora sob aspectos diferentes. Caminheiros não estacionam; seguem sempre, buscando, levando, crescendo…
Agora chegou a vez de vocês, caminheiros preparados para levar as verdades do nosso Mestre que foi o primeiro Caminheiro de toda a humanidade.
Está tudo arrumado para os que quiserem seguir conosco. Busquem suas posições. Analisem-se. Procurem dentro de si mesmos a forma pela qual poderão caminhar melhor e mais se harmonizar dentro deste grupo.
Por isso o nome: “BOA NOVA”. Vocês levarão a Boa Nova a outros caminheiros que estão há muitos séculos à espera de vocês.
Sigam com fé e amor o seu caminho, pois estaremos juntos com vocês em cada momento de necessidade do grupo.
Que o SENHOR os ampare. Que a luz do PAI os envolva e que CRISTO esteja com este grupo.
O Caminheiro.”
As sessões iniciaram em um chalé de madeira alugado na rua Eugênio Schardong, nº 307, bairro Rio Branco, próximo à Cordoaria São Leopoldo.
O local apresentava inúmeras dificuldades: infiltrações obrigavam os atendimentos a serem realizados com guarda-chuvas abertos; não havia luz elétrica no início; o acesso exigia atravessar tijolos e tábuas devido à água acumulada; o banheiro era uma simples latrina. Eram, sem dúvida, tempos heróicos.
Em março de 1980, o grupo transferiu-se para a rua Bela Vista, nº 318, bairro Cristo Rei, nos fundos do que hoje é a sede da instituição. A mudança foi feita em um pequeno caminhão, com Nilda acomodada sobre os móveis, protegendo-os da chuva intensa. Apesar de ainda precárias, as condições eram um pouco melhores.
Além dos trabalhos espirituais, o grupo também realizava ações sociais, como a distribuição de presentes e doces em datas festivas (Natal, Páscoa, Dia das Crianças) para crianças de comunidades carentes. O grupo era pequeno, mas unido e solidário.
Por volta de agosto de 1981, o aluguel tornou-se novamente um problema. Algumas negociações de compra de imóveis não se concretizaram, seja por preconceito, seja por aumento de preços. Até que surgiu a oportunidade de adquirir um chalé de madeira na rua Santo Inácio, nº 133.
O local tornou-se o embrião da atual sede do Boa Nova. Embora simples e em más condições (com buracos no chão e assoalho que rangia durante os passes), atendeu bem às primeiras necessidades.
A construção da atual sede iniciou-se em 1992 e foi realizada praticamente de forma gratuita e solidária: arquiteta e engenheiro trabalharam voluntariamente, materiais foram doados, a empresa Mafro facilitou a mão de obra, soldados dos quartéis colaboraram, entre muitos outros apoios. Apenas uma pequena parte precisou ser custeada
Em 47 anos de existência, o Boa Nova passou de uma simples reunião semanal, atendendo uma ou duas pessoas por tarde, para uma casa que acolhe diariamente – manhã, tarde e noite, inclusive aos sábados – todos os que buscam conforto, orientação espiritual e auxílio.
E quanto ao futuro?
A própria história mostra que os obstáculos existem apenas para serem enfrentados e superados. Cada dificuldade se transforma em aprendizado, fortalecendo o compromisso com a tarefa espiritual confiada ao grupo.
Assim, o trabalho voluntário e amoroso deve permanecer em qualquer circunstância, garantindo que o futuro do Boa Nova seja sempre de fidelidade à sua origem e de dedicação ao serviço de amparo a encarnados e desencarnados.